domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cabaña

Faz tempo que eu nao escrevo, mas tem bastante coisa pra contar...Hoje vou escrever sobre um passeio que fizemos um tempo atrás, ao Velasco, a serra que abriga Anillaco na sua base. A partir de certo ponto do caminho que escolhemo,s a propriedade passa a ser privada, pertencente ao Menem, que tem uma cabana lá. Nós demos um jeito de conseguir uma autorizaçao pra pular a cerca e continuar a trilha... hehe. Até esse ponto, na ida, de manha bem cedo pra fugir um pouco do calor, fomos numa caminhonete. A vista do sol nascendo entre as montanhas é linda, parece uma pintura. Depois de descer da caminhonete começamos a passar por umas trilhas tortuosas. É impressionate como a vegetaçao vai mudando conforme vamos subindo. No começo há só plantas rasteiras, arbustos e uns cactos mais altos. Mais pra cima aparecem mais árvores e uma vegetaçao mais densa. Boa parte do nosso caminho foi a beira de um rio, o que certamente favorece esse tipo de vegetaçao. No entanto, mesmo nas partes mais altas, plantas assassinas cheias de espinhos sao muito abundantes, o que resultou em diversos arranhoes... hehe. Voltamos a partir do momento que a trilha nao mais existia e nao sabiamos por onde continuar. Acho que escolhemos a hora certa, porque o céu já estava bem escuro e ameaçando chover. É engraçado, todos os dias, conforme vai ficando mais tarde, o topo da montanhas vao desaparecendo atrás de nuvens, nao importa o quao ensolarado esteja aqui em baixo. O caminho de volta fizemos todo a pé, alguns bons quilômetros. Foi bom para prestar atençao nas coisas pelo caminho!

Aí vao algumas fotos do passeio:












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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

En Argentina

Engraçado, mesmo não sendo uma escritora assídua, eu senti falta de postar no blog... Então, como mais uma vez estou passando um tempo longe de São Paulo, decidi reviver o blog pra escrever um pouco sobre a vida aqui na Argentina. Estou aqui trabalhando em um centro de pesquisas, o CRILAR. O meu laboratório da USP trabalha em colaboração com o daqui e uma das pesquisadoras do centro é minha co-orientadora. Estou fazendo aqui a parte prática do meu projeto de iniciação científica, que provavelmente será o começo do meu mestrado, com cronobiologia (estudo de ritmos biológicos) de tuco-tucos, que são uns roedores subterrâneos.
A cidade em que estou se chama Anillaco. É muito pequenininha, tem pouco mais de mil habitantes. Fica no meio do deserto e em volta dela tem diversas montanhas. Ela é famosa entre os argentinos por ser a cidade natal do ex-presidente Menem.

Chegar de Sao Paulo a Anillaco demora bastante. Primeiro peguei um vôo pra Santiago, depois pra Córdoba. Esperamos muito tempo em Córdoba (deu pra conhecewr bem a rodoviária... hehe)e pegamos 8 horas de onibus pra Aimogasta e entao um táxi para Anillaco! hehe Embora cansativa, a viagem foi tranquila. Tirando, éclaro, que a esperteza aqui esqueceu o computador no raio-x de sao paulo.... E que eu perdi um canivete que esqueci na minha mochila, e pasmem, passou pelo raio-x em sao paulo, e só foi pego em santiago, assim como a faca do meu amigo....
Chegando em Anillaco fomos recepcionados nos instamos nos quatos e fomos recepcionados pela nossa orientadora daqui com um café da manha. Já no primeiro dia tive o meu primeiro contato com os tucos, eles sao tao bonitinhos! Desde entao tenho tido muito trabalho, alguns probleminhas pra resolver e coisas assim. O dia todo, todos os dias, correndo pra lá e pra cá. Mas estou gostando bastante e aprendendo muito. O meu quarto fica no mesmo prédio do meu laboratório, o que é muito conveniente, já que em menos de um minuto eu posso coletar dados, ir conversar com a minha orientadora, ou pegar alguma coisa que eu esqueci no meu quarto enquanto eu trabalho.

Para nao ficar muito longo, vou parar esse post por aqui. Ainda tem mais coisas pra contar, mas fica pra próxima! Agora algumas fotos:
Cordilheira dos Andes vista do aviao:


CRILAR:




Onibus de Córdoba a Aimogasta:



No nosso primeiro dia visitamos a rádio de Anillaco e demos entrevista... hehe


Anillaco:

Flora daqui:




Numa noite teve uma tempestade as montanhas apareceram com neve (em pleno verao!!):


Tucos:
Toquinho e a cenoura gigante:
Cutú destruiu a gaiola:
Toquinho coberto por lechugas:

Escavando uma galeria de tuco:

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Saudade...

Depois de meses sem escrever, decidi que era hora de postar algo novo. Este vai ser um post gigantesco... não espero que ninguem leia, ele é mais um desabafo... sugiro que avancem direto pras fotos, minhas últimas da Finlândia.

Quando decidimos passar um tempo fora do país sempre pensamos no quanto pode ser difícil deixar tudo no Brasil e se adaptar lá fora. Mas geralmente nem passa pela nossa cabeça no como vai ser a volta, e que essa pode ser a parte mais difícil de todo o processo.

Lembro do dia em que eu fui perguntar sobre o intercâmbio na Ccint, e quando pela primeira vez pensei em morar na Finlândia. Lembro de quando o processo seletivo abriu, nem ia ligar o computador naquele dia... Lembro do processo seletivo em uma manhã de tempo feio, no meio de uma aula de fisio veg. Lembro que o resultado atrasou, e da ansiedade que eu fiquei durante a espera. Lembro de quando saiu o resultado, me pegou da surpresa, pró-aluno no meio do almoço. FIquei tão feliz. Lembro das muitas provas e trabalhos que eu tive que fazer aqui quando a minha cabeça já tava lá, da burocracia, dos preparativos... Lembro da minha despedida no aeroporto, com direito até a faixa. Lembro do aperto que eu senti na sala de embarque, mas da tranquilidade do meu sono no avião. Parece que eu já sabia.

Quando eu cheguei na Finlândia eu estava tão empolgada que quase nem senti o choque. No começo eu vivia coisas novas e diferentes todos os dias e encarava aquilo como uma grande experiência, mesmo coisas meio bizarras. Não precisou muito tempo para que eu me sentisse em casa lá. Aprendi os caminhos e os ônibus, me acostumei com a língua, sabia onde comprar as coisas, deixei a minha casa e as tarefas dométicas em ordem. Fiz amigos num mar de diferentes culturas e línguas e aprendi que não importa a origem, pessoas tem a mesma "essência". Me diverti muito com essas pessoas, fosse nas famosas festas de intercambistas, viajando ou simplesmente dando risadas na mesa da cozinha. Sempre tinha alguém pra conversar num inglês meio desajeitado. Pela primeira vez eu tava construindo a minha vida independentemente, com ajuda, é claro, mas a iniciativa era minha, as coisas do meu jeito. Eu sentia que todo dia eu aprendia uma coisa nova, e que a cada dia eu mudava mais. Foram nove meses vivendo assim. Noves meses maravilhosos, eu diria. A despedida das pessoas e do lugar foi muito difícil, mas eu ainda tive quase dois meses de muitas experiencias viajando e visitando amigos.

Esses dois meses foram ótimos. Rever amigas, conhecer a família e o estilo de vida delas no proprio país foi umas das coisas mais legais que eu fiz. Também conheci muita gente, e muitos lugares. Bom, foram tantas experiências, fica impossível falar aqui (o meu diário de viagem tem 120 páginas.... hehe), mas tenho fotos no picasa, e bem, umas das coisas que eu mais gosto é falar das minhas viagens pra quem está interessado, just ask me =) Digo que viajar sozinha foi muito bom, me misturei melhor com os locais, prestei mais atenção em detalhes, aprendi a me virar em várias situações, e aprendi mais sobre mim mesma, meus gostos, minhas atitudes... Confirmei a minha paixão por viajar, e só aumentou a minha vontade de conhecer outros cantos do mundo. Viajar vicia!

E foi assim que eu embarquei no avião pro Brasil, uma pessoa diferente, cheia de experiências e histórias. As milhares de fotos que eu tirei são só uma partezinha de todas as lembranças que eu carrego desse ano. Quando olho pra trás e vejo quantas coisas eu consegui construir sinto o quanto valeu a pena.

Uma vez na minha terra natal foi a hora de encarar a minha nova velha realidade. No começo a empolgação de rever todo mundo, família, amigos, pessoas muito queridas! Sim, eu senti saudade de todos! Depois começar o estágio, recomeçar a faculdade. Estágio legal, aulas chatas, muito chatas... Desânimo esquisito...

Com algumas coisas ainda não me acostumei. O trânsito, a poluição, o calor, o medo ao andar nas ruas, a desorganização. De outras eu matei a saudade, coisas boas do Brasil e dos brasileiros.

A verdade é que eu esperava que dois meses depois da minha volta eu já estaria adaptada a tudo. Não é bem assim... É estranho, eu mudei tanto e agora to tentando me ajustar na minha vida antiga. Sem contar a saudade... quase tudo me lembra a finlandia e me faz sentir saudade... ah, saudade de tantas coisas, a maioria coisas pequenas e simples... de correr todo dia atrás do ônibus 68 (mesmo sabendo os horários ¬¬); de me encapotar e desencapotar sempre que saia e entrava em casa; do metrô e da voz anuciando as estações em finlandês e sueco; de assistir o pôr-do-sol da varanda todos os dias (não nublados) pq sempre era lindo; de morar do lado da universidade; das festas; das pré-festas; das pós-festas; de correr atrás do último ônibus pra casa, no frio e da loooonga meia hora dentro dele (pq sempre parecia que ele balançava mais naquela hora? haha); de falar "kiitos" e arriscar outras coisinhas (com direito a ficar orgulhosa de conseguir conversas simples... haha); de fingir que tava entendo tudo o que me falavam em finlandês quando, na verdade, eu já tinha me perdido na primeira frase; de ir nadar no uimahalli, ir na sauna depois e voltar pra casa com a neve caindo (praticamente dormindo andando) cabelo molhado congelando....; de sauna (ah, o que eu não daria por uma sauna agora?); de falar inglês e aprender palavras de várias línguas; de ter contato com gente do mundo todo; dos ôniibus e metro vazio até nas horas de rush; de ir dar uma volta na "floresta" perto de casa quando eu ficava com vontade de sair de casa; de patinar no gelo ao ar livre; de achar que 15 graus é muito quente; das conversas em pé em algum canto da casa, que eram pra ser rápidas, mas acabavam durando horas; de ter alguém batendo na porta do meu quarto pedindo farinha, ou de receber uma msg no skype pedindo pra usar a minha margarina; das pedrinhas espalhadas na calçada quando nevava e que sempre entravam no meu tênis; de passar horas tendo conversas filosóficas sobre os problemas do mundo e crises existencias, e outras vezes passar horas discutindo como se pronuncia "yeast" e outras coisas inúteis; de acordar cedinho pra fazer trilhas; de pão escuro e outras comidas finlandesas; de tentar decifrar as manchetes dos jornaizinhos do metro, ou os rótulos dos produtos no mercado; de subir a escada rolante de kamppi correndo e continuar correndo dentro do shopping pra não perder o ônibus; de me divertir tomando conta de crianças e ainda receber por isso; de levar a cachorra pra passear e sempre me perder; de todos os meus amigos; das crianças finlandesas super fofas usando aquelas roupas de inverno; das estações mudando, das folhas multicoloridas no outono, do branco no inverno, das flores e folhas aparecendo na primavera, do verde no verão; de beber água direto da torneira; do chocolate Fazer; de não ter nenhuma aula antes das 9 (e 15) ou depois das 4; das aulas de finlandês e sueco; de voltar pra casa a pé às 4 da manhã sem medo; de estar sempre planejando uma viagem nova; da natureza, simples mas onipresente, que de alguma forma sempre transmitia serenidade; de desenvolver novas técnicas de andar pra não escorregar no gelo (enquanto os finlandeses andavam super rápido e tão naturalmente...) ; de lavar a louça e colocar pra secar dentro do armário (ah, os práticos armários finladeses!); de ficar acordada de madrugada conversando, rindo, cozinhando ou esperando o chaveiro (hehe) com as minhas flatmates; dos transporte público eficiente (como era bom saber a hora que onibus ia passar e ficar brava nas raras vezes que o ônibus atrasava 1 ou 2 minutos...); da tranqüilidade e do silêncio; de não conseguir falar o nome da própria rua (maakaari.... maaaaaaaaaaakaaaaaari... só os finlandeses não entendiam...); das tradições finlandesas em alguns feriados (como páscoa e Vappu); de poder comer salmão no bandejão; de achar legal e diferente falar que eu era do Brasil (e ouvir esse tipo de coisa: "do u like carnival?", "I know ronaldinho", "do you live in Rio?", "what about the amazon?", "how is it in Spanish?", "why are u so white?") ; de ter que responder diariamente à pergunta "Why Finland?" e na verdade não ter uma resposta mto clara, só a certeza de que foi um boa escolha; de fazer bonecos de neve na varanda; daquelas lebres gigantes atravessando a rua; de ver os estudantes usando aqueles "overalls" coloridos; dos dias de duração bizarra (sempre um tópico interessante pra discussão, assim como o tempo...); das estranhesas dos finlandeses e ahhhh nunca vou conseguir escrever tudo. Sinto falta dos momentos espontâneos... Como a vez que a meia noite, eu e a danni estávamos conversando meio entediadas e decidimos passar o fim de semana fora de Helsinki, tomando o trem das 7 a.m. pra Tampere de depois pra Turku. Se a gente não achasse um lugar pra ficar a noite dormiríamos na praia, esse era nosso grande plano. Acho que nós ficamos meio decepcionadas quando conseguimos uma cama no albergue.... hehe. E teve também o dia que eu sai de manhã para trabalhar e terminei o dia em um navio pra Suécia. Ou as inúmeras vezes que decidimos sair de última hora, me arrumar, rápido e sair correndo ladeira abaixo atrás dos ônibus (aiai, quando tinha gelo na calçada....). De sair da sauna pra -30 graus e entrar no lago congelado, só na Finlândia! Das festas em apartamentos de gente que eu nunca conheci... De ir de madrugada na biblioteca da universidade só pra usar o banheiro.... De me atrasar um pouco pra aula pra poder aproveitar o sol nos degraus da catedral... Descer do ônibus no meio do caminho e continuar a pé pra aproveitar o dia bonito..... Sinto saudade de TUDO! até das coisas estranhas... hehe. A verdade é que eu amei a experiência de ser intercambista, e me apaixonei pela Finlândia. Haluan mennä takaisin Suomeen!!!

Esses dias sonhei que tinha voltado pra Finlândia. Claro, como qualquer sonho meu tinha que ter muitos elementos bizarros e sem sentido. Mas o sentimento de felicidade de estar de volta a Helsinki (mesmo só visitando) foi tão forte, parecia real. Até senti ciumes das pessoas novas morando no meu apartamento. Aí eu acordei. Corpo aqui, cabeça lá...

Enfim... não quero que pareça que eu estou esnobando o Brasil e a minha vida aqui, por não é isso! Também gosto muito de estar perto da minha família e dos meus amigos daqui. E é obvio que ninguém pode viver eternamente como intercambista... (infelizmente... hehe) tenho que voltar a levar as coisas mais a sério, né! Mas leva um tempo pra me acostumar... Queria agradecer todos que tem paciencia de me ouvir falando o tempo inteiro da Finlandia e das minhas viagens, eu sei que deve ser um saco. Eu até tento, mas nao consigo evitar.... hehe

Bom, como eu disse antes, esse é um post de desabafo.... senti que tava faltando algo assim pra fechar o blog (pelo menos a parte da finlândia... quem sabe não volto a escrever aqui de novo algum dia...).

Para quem se interessar, eu estou quase concluindo minha graduação, vou acabar quase todos os meus cursos do bacharelado este ano. Ano que vem vou fazer cursos da licenciatura e trabalhar na minha iniciação científica, e quem sabe, mestrado. Estou trabalhando com cronobiologia (estudo de ritmos biológicos), uma área que eu adoro! Estou muito feliz com o meu grupo de pesquisa. Estamos estudando tuco-tucos, roedores fossoriais. Os bichinhos vivem na Argentina, e é lá que fica o laboratório, então a partir do semestre que vem farei viagens pra lá. Estou animada!

Ainda não sei o que eu quero fazer da minha vida, mas meus planos futuros incluem conhecer o mundo e visitar os amigos que eu fiz em Helsinki (planos bem simplórios... haha). Se um dia eu vou ter tempo/dinheiro pra isso eu não sei, mas vale a pena sonhar ^^

Fotos do meu último fim de semana em Helsinki:

Verão em Viikki:






Não dá pra ver direito, mas meu relógio marca 00:10:


Jantar com os chineses:


Minha última refeição no Unicafe:



Sauna do meu prédio:


Vocês sabiam que um dos primeiros produtos da Nokia (sim, a mesma dos celulares) foram essas galochas?:


Essas fotos eu tirei da janela da cozinha, durante o ano... dá pra ver as estações mudando ^ ^ (montagem tosca...)


Mais um pôr-do-sol lindo:


Acho que é isso. Até qualquer dia.

Nähdään! Moi moi!